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Politiquices: Políticos de hoje

Quase – ou mesmo – tão antiga como a prostituição, a política tem cada vez mais o mesmo entendimento social e moral da primeira. Temos de agradecer o maravilhoso trabalho de descrédito dos nossos supostos políticos.

Se os profissionais da prostituição (vou falar no masculino pela generalização, uma vez que se trata de uma profissão para ambos os géneros) trocam o corpo e o sexo por dinheiro, alguns supostos políticos parecem trocar a alma e a ética pelo mesmo propósito, esquecendo-se da origem da sua legitimidade, do verdadeiro objetivo que lhes é imputado e da sua real missão de governação de um país. O senhor político não passa, hoje, de uma espécie aviária que procura sempre o poleiro mais alto para demonstrar a quem está mais abaixo o regular funcionamento do seu intestino, inchando as penas lustrosas de cada vez que lhe aparece uma câmara à frente e ensaiando estranhos ruídos de acasalamento com aqueles que lhe podem arranjar um abrigo caso caíam do poleiro, já para não falar dos irritantes ruídos de defesa territorial, como se de facto fossem eles os donos cá do pedaço em vez do Povo. E o chilrear melodioso que mais gostam de entoar é a velha cantiga do somos árduos trabalhadores tão mal pagos.

Nos dias de hoje, uma criança poderá dizer: “Quero ser médico, para salvar vidas.”; “Quero ser bombeiro para apagar fogos e salvar florestas e pessoas.”; “Quero ser professor, para ensinar as crianças”; mas nunca dirá: “Quero ser político, para governar para o Bem Maior do nosso país”. E não o dirá porque já não se deposita qualquer confiança – ou até mesmo esperança – na classe política atual, sendo mais facilmente intitulados de gatunos, mentirosos e outros tantos substantivos e adjetivos que enunciam a sua visceral existência, chegando mesmo à invocação da proveniência de tal criatura – mas sem intenção de ofender a sua prezada mãezinha, que tanto há de sofrer por ver um filho naquela vida.

 

Tanto lutou o Povo pela sua representação parlamentar e liberdade de escolha, mas não podíamos estar mais afastados dos princípios então defendidos. Realizam-se os escrutínios na maior das ignorâncias, não apenas por negligência dos eleitores, mas também por demagogia dos candidatos e fragilidades nefastas do sistema eleitoral. Convencemo-nos de que escolhemos quem conduz o destino do país, mas na verdade apenas validamos a permanência de uma classe que se distancia progressivamente do vulgo Zé Povinho.

Apregoa-se a necessidade de votar e incentiva-se o passeio domingueiro à urna, porque votar é um direito e um dever, porque faz parte da identidade cívica. Na realidade, querem-nos lá para que possamos legitimar os seus mandatos, para que possam contar muitos votos, para que se possam gabar da sua legitimidade. Deste modo dizem que nos representam e, em caso da coisa correr mal, limitam-se a repetir incessantemente: “O Povo é que me colocou aqui!. E quantos de nós não assumem esta dor e encolhem os ombros fazendo mea culpa: “A gente é que os meteu lá!”.

Alguns revoltam-se com estas situações, porque lhes ardem as hemorroidas de tanta ação – ou inação – e porque se lhes revoltam as entranhas num fortíssimo enjoo. Mas num sistema aceite como viável, onde os próprios políticos ditam as regras a seu bel-prazer, estamos perante uma situação de Quis custodiet ipsos custodes?, que é como quem diz “Who watches the Watchmen”, que é como quem diz, neste caso, “Quem governa os que governam?”.

Não podemos esperar que a mudança venha da classe política e ao Povo resta colocar-se na posição em que a Alemanha perdeu a guerra (segundo dizem) ou então munir-se de armas capazes de escorraçar quem lhe come o milho todo. Não, não me refiro a “kalashnikoves” nem a tanques de guerra nem a cravos vermelhos, refiro-me a informação e responsabilização.

Quem me dera que o nosso sistema político tivesse a forma geométrica da pescadinha de rabo na boca, em que o Povo passa a governar real e eficazmente quem o governa.

Utopias, senhor, são utopias!...

 

 

 

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